VAREJO

O que é inovação no varejo e como aplicá-la no dia-a-dia do seu negócio?

Para se driblar a crise que jogou os números do setor varejista abaixo se falou muito em criatividade e inovação. Diversos gestores recorreram às consultorias e agências para diminuir custos e levar novidades para as gôndolas. Mas o que é inovação no varejo?

Ao analisar essas tendências segmentadas nos três grupos, ficou claro como todas as ações e iniciativas realizadas pelos supermercados ao redor do mundo têm sido voltadas para atender demandas do shopper relacionadas à três grandes linhas: sustentabilidade; praticidade e conveniência; e qualidade de vida.

Inovação é aquilo que transforma o antigo em algo novo, uma forma diferente de fazer o que é comum, são novos costumes, processos, ideias. Definir o que é inovação pode ser um desafio, porque trata-se de um conceito relativo ao contexto, a uma época e lugar. O que é inovação agora pode ser velho amanhã. O que é novo aqui pode ser já antigo lá, o que surpreende um determinado setor da indústria pode ser já comum em um outro setor do varejo. Sendo assim, para se falar em inovação é preciso antes de tudo contextualizar.

Para se entender, portanto, o que é inovação no varejo é preciso antes conhecer o shopper desse tipo varejo: como ele se comporta, o que busca, o que sente, como circula, escolhe, o que almeja? Responder tais perguntas é delinear o perfil de um personagem que pode ajudar a guiar o desenvolvimento de iniciativas que o surpreendam, entregando a ele algo que, enfim, irá classificar como algo novo.

De olho nas tendências de supermercados em todo mundo a partir do monitoramento de ações e notícias que foram destaque nas mídias especializadas, tradicionais e sociais, é possível se ter um apanhado do que vem aparecendo de novo no setor. Com o intuito de delinear o que pode ser considerado inovação nos supermercados, segmentamos tais tendências em três grupos. No primeiro grupo estão as tendências relacionadas à tecnologia, como a proliferação de aplicativos e ferramentas tecnológicas que mapeiam e prometem facilitar a circulação do shopper no varejo e dar mais praticidade ao momento das compras, assim como a individualização de promoções e comunicações voltadas para ele. No segundo grupo estão as tendências relacionadas ao ambiente, investimentos em novas decorações e espaços que buscam deixar o espaço mais confortável, agradável e familiar, em sintonia com as expectativas desse shopper em relação a um lugar de abastecimento de produtos básicos e diários. No terceiro e último grupo estão as tendências relacionadas ao comportamento desse shopper, o que ele tem procurado nos supermercados e também fora dele no que tange suas preocupações e prioridades.

Ao analisar essas tendências segmentadas nos três grupos, ficou claro como todas as ações e iniciativas realizadas pelos supermercados ao redor do mundo têm sido voltadas para atender demandas do shopper relacionadas à três grandes linhas: sustentabilidade; praticidade e conveniência; e qualidade de vida. Isso quer dizer que o que o shopper tem buscado, ao fazer suas compras no supermercado, não perder tempo, ser ágil e objetivo, tem preferido lugares agradáveis, com estacionamento ou entregas em domicílio ou qualquer outra oferta que facilite sua vida, tem priorizado alimentos saudáveis e que conhece as origens, procura informação sobre os produtos que consome, avalia as empresas e marcas em relação a suas atitudes de sustentabilidade voltadas para o planeta e para a comunidade, elegendo para si mesmo atividades e produtos que consomem menos recursos naturais do meio ambiente. O shopper tem almejado fazer compras em supermercados com produtos gourmet, locais que disponibilizam profissionais que ensinam e orientam sobre produtos e receitas, ambientes premium mas com aspecto rural, simples, que dão a impressão de produtos frescos e vindos direto da terra, da origem. O shopper tem falado não ao desperdício e por isso migrado para estabelecimentos que oferecem opções de embalagem para ingredientes em que ele mesmo pode escolher a quantidade. A tecnologia entra como suporte para essas todas ações, oferecendo aplicativos para que ele ganhe tempo e praticidade no percurso das compras.

Isso nos mostra que se trata de um shopper cada vez mais engajado, consciente, preocupado com a origem dos alimentos, com a produção e os recursos gastos nesse processo. Essa mesma atitude do shopper pode ser percebida na sua busca em conhecer fábricas de cervejas, vinícolas, plantações de olivas, feiras orgânicas e na sua preocupação cada vez maior em saber quem trabalha na fabricação de peças de vestuário e mobiliário. Por outro lado, o momento das compras deve ser rápido e sem dificuldades para que sobre mais tempo para passar com sua família ou para realizar um hobby, como praticar um esporte ou cozinhar.

Diante disso, estratégias de marketing dentro do supermercado que refletem essas três demandas (sustentabilidade; praticidade e conveniência; e qualidade de vida) são interpretadas pelos shopper como inovação, como algo novo em linha com o que espera para seu futuro. Mas como aplicar isso no dia-a- dia nos supermercados, quando não se dispõe de grandes orçamentos e tempo para mudanças estruturais?

O pulo do gato é conseguir transformar essas três demandas em uma estratégia de atuação dentro do ponto-de-venda e dela criar planos de ação factíveis. Muitas vezes pequenas ações trazem a percepção do novo e do atendimento dessas expectativas do shopper. Trocar uma embalagem de plástico por uma embalagem de material reciclável, colocar folhetos com informações sobre os produtos nas gôndolas ou com sugestões de receitas, ou mesmo disponibilizar um funcionário treinado no setor de vinhos ou no hortifrúti, um totem para carregar o celular ou um recreador para cuidar das crianças enquanto o shopper faz as compras são pequenos exemplos que podem fazer a diferença. A instalação de uma área de self check out pode deixar a experiência de compra mais ágil e rápida, por exemplo, diminuindo as filas e dando independência ao shopper. Mesmo que já comuns, tais ações ainda carregam o ar da inovação e de estar em linha com o futuro e, tão importante quanto, são muitas vezes interferências simples que refletem diretamente no aumento das vendas, objetivo final de qualquer estabelecimento comercial, principalmente em tempos de crise. Sabendo o que é inovação no varejo, só resta agora soltar a imaginação.

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Manuela Castro
Diretora de Criação da Grão Inteligência, especialista em estratégias de shopper marketing e materiais de comunicação em ponto-de- venda.